quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O que é o MASP e quando utilizá-lo!


Antes de saber e quando utilizar é preciso entender o foco do MASP. Problemas! Este é o foco.
Tudo que apresenta resultado diferente do desejável pode ser considerado problema, seja quando identificamos uma peça com defeito ou quando um processo não funciona.
Todas as empresas apresentam problemas que impedem o alcance de melhores resultados ou aumento da qualidade de seus produtos e serviços. É preciso entender que não existem culpados para estes problemas e sim causas que precisam ser analisadas.
Para solucionar os problemas são necessárias análises da relação entre a característica da falha e as possíveis causas desta, buscando em seguida, traçar ações que mitiguem ou eliminem definitivamente tal problema.
O sucesso dessas análises baseia-se em uma estratégia padronizada e estruturada, de forma a realização de ciclos contínuos de melhoria, repetidas vezes e quantas vezes forem necessárias.


Na década de 80, Hitoshi Kume descreve com muito mais detalhe e precisão o método QC-Story. O autor desdobra um processo de solução de problemas em passos menores, dando mais distinção a cada atividade. Esse cuidado permite compreender melhor o que deve ser feito em cada etapa, e as ferramentas que precisam ser utilizadas em cada situação.

No Brasil, a introdução do QC-Story na literatura foi feita por Vicente Falconi Campos que publicou em um apendice de seu livro TQC no Estilo Japonês as tabelas formatadas contendo uma síntese da descrição do método de Kume. As tabelas foram elaboradas por engenheiros da Cosipa, conforme descrito no livro. O método apresentado pelo autor é denominado Método de Solução de Problemas – MSP  – mas ele se popularizou como Método de Análise e Solução de Problemas  – MASP. O MASP contém oito etapas e, tal qual o método de Kume, também subdivide-se em passos. Não há dúvida que o MASP deriva do QC-Story. Embora não ressalte as diferenças nos passos ou subpassos das abordagens, Vicente Falconi Campos afirma que o Método de Solução de Problemas apresentado por ele “[...] é o método japonês da JUSE (Union of Japanese Scientists and Engineers) chamado ‘QCStory’.”

Assim, o MASP é um método prescritivo, racional, estruturado e sistemático para o desenvolvimento de um processo de melhoria num ambiente organizacional, visando solução de problemas e obtenção de resultados otimizados. O MASP se aplica aos problemas classificados como estruturados, cujas causas comuns, as soluções sejam desconhecidas e que envolvam reparação ou melhoria, ou performance e que aconteçam de forma crônica. Pode-se perceber que, para serem caracterizados da forma acima, os problemas precisam necessariamente apresentar um comportamento histórico. Devido a esse fato, o MASP se vale de uma abordagem reativa (ORIBE 2012)



Então, o que seria o MASP?
Simplificando, poderíamos dizer então que o MASP, ou Método de Análise e Solução de Problemas, é o procedimento, ou a padronização, ou ainda a estruturação de uma série de ferramentas analíticas, que podem ser utilizadas repetidamente nos processos, com o objetivo da melhoria contínua, a fim de solucionar problemas.

O MASP se baseia na obtenção de dados que justifiquem ou comprovem fatos previamente levantados e que comprovadamente causam problemas.

Posso citar aqui trechos conhecidos a respeito do tema como por exemplo, Arioli (1998), citando que o MASP é uma ferramenta aplicada de forma sistemática contra uma situação insatisfatória ou para alcance de um objetivo de melhoria. Estas situações são identificadas, eliminadas ou melhoradas, através de etapas pré-determinadas, com base no ciclo PDCA, e mais, afirma ainda que o MASP funciona como uma ferramenta eficiente para gerar melhorias, envolvendo um grupo de pessoas para tomar decisões, visando à qualidade dos produtos e serviços, ou então, Sampara (2009), afirmando que o objetivo do MASP é elevar a probabilidade de solucionar um problema, onde a solução é um processo que segue uma sequência lógica e racional.

Quanto aos problemas, Campos (2004) cita que são anomalias indesejáveis nos processos produtivos e isso é extremamente prejudicial para qualquer ambiente produtivo, pois oneram em grandes custos para uma empresa. Desta forma, o MASP surge com um objetivo principal de eliminar a possibilidade de reincidência de uma determinada anomalia, agindo sempre de acordo com a filosofia da melhoria continua.



Quando podemos considerar a aplicação do MASP?

A resposta é simples, quando sintomas da existência de problemas aparecerem, sejam eles qual e onde for!

Sintomas como: baixa produtividade, redução da qualidade dos produtos, aumento das reclamações de serviços prestados, aumento do número de acidentes, aumento de horas de máquinas paradas, percepção de desmotivação das equipes, aumento do retrabalho, perda de mercado, etc. Poderia citar muitos outros, mas cada gestor é capaz de identificar tais sintomas.


O MASP é uma maneira sistêmica de se tratar duas situações básicas que podem exigir tomada de decisão (AGUIAR 2004):

1. Sempre que haja uma situação insatisfatória, um desvio do padrão de desempenho esperado ou de um objetivo estabelecido, e que se reconheça a necessidade de corrigir.

2. Sempre que haja uma oportunidade de melhoria ou que surjam alternativas de ação a escolher, independente da existência de uma situação insatisfatória.


Estas duas situações, conforme Arioli (1998), são tratadas através do MASP, utilizando-se de ferramentas da qualidade como: Pareto, Histograma, Cartas de Controle, entre outros, de uma maneira sequencial e padronizada, com o seguinte ciclo: descrição, análise, providência, decisão, implementação, padronização e retroalimentação.

O Método de Análise e Solução de Problemas é peça fundamental para que o controle da qualidade possa ser exercido.

A finalidade do MASP é resolver problemas, satisfazendo as pessoas e obtendo resultados em curto prazo. Porém, algumas condições devem ser observadas para a sua correta implementação: a gerência deve estar aberta à participação de todos os funcionários, onde o trabalho em equipe é fundamental para o sucesso deste método (AGUIAR 2004).


Apenas para adiantar, segue uma pequena lista das ferramentas do MASP que ainda serão abordadas nas próximas postagens do blog:


- Brainstorming;

- Diagrama de afinidades;

- Diagrama de relações;

- Diagrama de causa e efeito;

- Fluxograma;

- Estratificação;

- Coleta de dados, folhas de verificação;

- Analise de  correlação e regressão;

- Gráficos sequencial;

- Gráfico de Pareto;

- Gráfico de dispersão;

- Histograma;

- Diagrama de árvore;

- Diagrama de matriz e diagrama de matriz de priorização;

- Distribuição de frequências;

- Diagrama de processo decisório;

- Diagrama de atividades;

- 5W2H;

- Curva de Gauss, probabilidades na curva normal;

- Capacidade dos processos, índices cp, cpd, cpe, cpk;

- Carta de controle;

- Métricas do seis sigma DMAIC;

- FMEA.


Ainda teremos muito a falar sobre MASP, espero que a leitura tenha sido agradável. Acompanhe nossas próximas postagens, acesse e dê sua opinião.

2 comentários:

  1. Otimo artigo Thiago lembrando também que o MASP também é conhecido como 8D Report ou Global 8D(essas 2 terminologias sendo muito usadas na Indústria Automobilística).Trabalhei um bom tempo com MASP em análise de falhas numa fase inicial de implantação de Engenharia de Manutenção e PCM.Como ferramenta inicial apresenta bons resultados mas é desejável a evolução para outras técnicas (como FMEA) de acordo com a Estratégia de Gestão de Ativos da organização.
    Att
    Thiago Querino

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  2. Concordo com você Thiago, o MASP é uma excelente técnica e tem muitas ferramentas, mas não resolve todos os problemas da manutenção, sempre é preciso evoluir e migrar para outras como o RCM ou TPM, por exemplo!
    Obrigado pela contribuição, espero que possa continuar acompanhando as postagens e participando expondo seu conhecimento e opinião! Sucesso!

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