Nesta nova postagem conheceremos de maneira simplificada, cada um dos pilares do TPM.
1º pilar: MELHORIAS INDIVIDUALIZADAS
(ESPECÍFICAS):
Por se tratar de uma visão
detalhista de um número imenso de processos internos, este passo deve ser
realizado por pequenos grupos pertencentes aos processos estudados, contendo
preferencialmente seus responsáveis e os conhecedores das atividades.
As propostas encontradas por
estes grupos devem ser claras e objetivas, descritas em um plano de ação
contendo seus respectivos responsáveis e prazos.
A Melhoria individual (Kobetsu-Kaizen)
é utilizada para extinguir completamente as oito grandes perdas que reduzem a
eficiência global do equipamento (OEE = Overall Equipment Effectiveness),
citado na postagem anterior.
O Kaizen se desenvolve em 10
etapas:
Etapa 1: Identificar e esclarecer os objetivos
(Selecionar piloto);
Etapa 2: Organizar as equipes de projeto;
Etapa 3: Detectar as perdas atuais da empresa;
Etapa 4: Definir as metas e o tema Kaizen;
Etapa 5: Desdobrar o plano Kaizen;
Etapa 6: Criar estratégia de implementação (abrir,
avaliar e analisar as contramedidas);
Etapa 7: Implementar o Kaizen;
Etapa 8: Revisar resultados / Confirmar os efeitos;
Etapa 10: Repetir na horizontal.
Para a implantação das
melhorias individuais (Kaizen), utilizam-se 3 importantes ferramentas: o método
dos sete passos, a análise PM e a análise de porquês (5).
Após a identificação das
grandes perdas, passamos a enxergá-las agora como oportunidades.
A Manutenção Planejada foca
inicialmente a elaboração e/ou alteração de planos de manutenção dos
equipamentos, detalhando o nível e os tipos de manutenção empregados para cada
equipamento. A criação e/ou alteração destes planos depende do conhecimento técnico
e experiência dos mantenedores e gestores, pois deve ocorrer o direcionamento
das atividades baseado naqueles identificados como críticos ao processo (através
de uma Matriz de Criticidade ou Controle de Perdas, por exemplo).
Quando a etapa Manutenção
Planejada funciona, a confiabilidade dos equipamentos é diretamente afetada,
apresentando sensível aumento percentual.
Filosofia da Manutenção
Planejada:
Conhecimento das perdas
decorrentes das falhas de equipamentos e as mudanças de mentalidade das áreas
de produção e manutenção, minimizando as falhas e defeitos.
Produção:
- Observação das condições
básicas do equipamento (limpeza e lubrificação);
- Manutenção das condições
operacionais, evitando que o equipamento reinicie o processo de deteriorização;
- Restauração das deteriorações
por meio de inspeções e antecipação da falha, atuando ainda no defeito;
- Crescimento operacional com o
aprimoramento dos conhecimentos de operação dos equipamentos.
Manutenção:
- Apoio técnico as atividades
de MA desenvolvidas pela operação/produção;
- Feedback de informações e
garantia da restauração dos equipamentos através do processo manter, por meio
de inspeções de rotina e execução dos planos de manutenção;
- Descobrimento de falhas de
projeto e esclarecimento das condições operacionais;
- Aprimoramento dos
conhecimentos de manutenção.
Etapas da Manutenção Planejada:
Etapa 1 - Avaliação e
levantamento da situação atual dos equipamentos (ou do equipamento piloto):
Etapa 2 - Reparo das
deteriorações e melhorias dos pontos deficientes;
Etapa 3 - Estruturação do
controle de informações e de dados;
Etapa 4 - Estruturação da
Manutenção Preventiva;
Etapa 5 - Estruturação da
Manutenção Preditiva;
Etapa 6 - Estruturação da
Manutenção Detectiva.
3º pilar: MANUTENÇÃO AUTÔNOMA
(Jishu Hozen):
A introdução da Manutenção Autônoma
(em japonês "Jishu-Hozen") torna os operadores aptos a desenvolver e
melhorar de forma eficiente o seu próprio ambiente de trabalho, contribuindo desta
forma para a redução de perdas, aumentando os índices de produtividade e
qualidade de produção.
A proposta da manutenção
autônoma é mudar o conceito dos colaboradores (operadores) de linha de que “eu opero”,
“você concerta”, para o conceito de que “do meu equipamento cuido eu”
(YAMAGUCHI, 2004).
As etapas de implantação da MA:
Etapa 0: Preparação (5S);
Etapa 1: Limpeza e inspeção;
Etapa 2: Medidas contra fontes
de sujeira e locais de difícil acesso;
Etapa 3: Elaboração de padrões
provisórios de limpeza, inspeção e lubrificação;
Etapa 4: Inspeção geral;
Etapa 5: Inspeção autônoma;
Etapa 6: Padronização;
Etapa 7: Efetivação do controle
autônomo.
A implantação efetiva da
Manutenção Autônoma reduzirá consideravelmente a probabilidade de ocorrer
defeitos ou falhas. A ampliação da capacidade do operador em detectar de forma
antecipada possíveis anomalias e a reação rápida contra esses desvios garante a
longevidade dos equipamentos e a efetividade do trabalho de Manutenção Autônoma.
Apesar de toda a dedicação e
aumento do conhecimento por parte dos operadores, para situações em que o
defeito ou falha exige um conhecimento profundo do equipamento, não sendo possível
a solução pelo próprio operador, é preciso estar claro que o registro e a
comunicação com os mantenedores devem ocorrer com a mesma agilidade a fim de
evitar ou minimizar interrupções no processo.
Este pilar tem como objetivo o
desenvolvimento de novas habilidades e conhecimentos para as equipes de
manutenção e operação, principalmente, apesar de entender que a disciplina do
TPM deve ser abraçada desde a alta gerência, de forma que novas idéias e melhorias
possam surgir naturalmente durante a implantação do processo.
É fundamental a capacitação do
operador, através de cursos e palestras, para que ele possa conduzir a
manutenção sem receio de cometer erros.
As habilidades são
classificadas em 5 fases:
1. Não sabe: falta de
conhecimento. Não há compreensão de princípios e regras do trabalho e do
equipamento;
2. Conhece a teoria: falta de
treinamento. Conhece os princípios e regras do trabalho e equipamento, mas não
consegue praticá-los;
3. Consegue até certo ponto: age
na prática, mas o desempenho é dispersivo e não possui reprodutividade. A causa
é a falta de treinamento;
4. Consegue com segurança: aprendeu
fazendo, o grupo já aprendeu perfeitamente;
5. Consegue ensinar os outros: domínio
perfeito. A habilidade está totalmente dominada, consegue explicar os porquês.
Habilidades solicitadas aos
operadores:
- Identificar e aprimorar
fontes de pequenos defeitos e possíveis falhas;
- Compreender as funções e os mecanismos
do equipamento e encontrar as possíveis causas do problema;
- Compreender a relação
existente entre equipamento e qualidade do produto final;
- Conseguir consertá-lo (com o
auxílio do mantenedor);
- Desenvolver Kaizen individual
de temas do trabalho.
Habilidades solicitadas aos
mantenedores:
- Instruir a correta operação e
manutenção de rotina do equipamento;
- Reconhecer se funcionamento
do equipamento está normal ou não;
- Analisar causas de anomalias e
implantar métodos de restauração corretos;
- Aumentar confiabilidade dos
equipamentos, componentes e peças;
- Atingir objetivos econômicos
dessas atividades.
As atividades de educação e
treinamento são parte de seis etapas:
1. Definir políticas básicas de
educação e treinamento;
2. Treinamento para adquirir
habilidades de operação e manutenção;
3. Aprimoramento das
habilidades de operação e manutenção;
4. Estabelecimento e início do
desenvolvimento e treinamento de habilidades;
5. Consolidação do ambiente de
desenvolvimento voluntário;
6. Avaliação das atividades e
estudo de abordagem futura.
Não se deve esquecer que a
motivação é um fator importante no treinamento e na promoção dos indivíduos.
5º pilar: CONTROLE
INICIAL:
O foco é elaborar projetos que
não contemplem problemas ou inconvenientes vividos, ou ainda projetos que já
contemplam as melhorias necessárias à solução dos problemas conhecidos, evitando
o máximo de perdas e desperdícios de qualquer natureza, onde já onde se torne
efetivo o conceito PM (Prevenção da Manutenção), buscando resultados em máquinas
com quebra ou falha zero.
A etapa de gerenciamento de
produtos deve ser feita em vários grupos de trabalho que assumem tarefas
específicas dentro do projeto e utilizam modernas ferramentas de controle e
gerenciamento de projetos durante todo o ciclo de desenvolvimento do produto.
O pilar de controle inicial
além de elaborar o projeto pensando no equipamento, ele também busca a
implantação de um novo projeto pensando na integração entre homem máquina,
levando em conta a condição ambiental e condição de produção (BRITTO, 2003).
Custo do Ciclo de Vida (CCV –
Life Cycle Cost ou LCC)
O TPM objetiva alcançar o
máximo rendimento operacional global das máquinas, o que significa minimizar o
CCV. Este é custo total gerado no processo de projeto, desenvolvimento, produção,
operação, manutenção e apoio.
Os seguintes procedimentos são
recomendados para início das atividades de controle inicial de produtos e
equipamentos:
1. Pesquisa e analise da
situação atual;
2. Estabelecer o sistema de
controle inicial;
3. Depuração e treinamento do
novo sistema;
4. Utilização completa e
fixação do sistema.
O pilar Manutenção da Qualidade
(Hinshitsu Hozen) tem como objetivo atuar na eliminação das perdas relativas à
qualidade do equipamento, estabelecendo condições nos equipamentos que não
produzam defeitos no produto final.
Nesta etapa é necessário que o
monitoramento ocorra regularmente, a fim de realizar um comparativo com as
condições de projeto, traçando assim um quadro evolutivo das condições operacionais
em que a intervenção aconteça antes do alcance dos limites definidos pela
equipe de manutenção, antecipando-se a possíveis falhas. A idéia básica é
assegurar a continuidade e o aprimoramento de um alto nível de qualidade
através da manutenção efetiva dos equipamentos.
O papel do pilar da qualidade é
analisar máquinas, materiais, mão de obra e métodos (4Ms) rigorosamente, para
identificar e manter condições que não permitam defeitos, pois são destes 4 Ms
que surgem possíveis defeitos a qualidade do produto.
Condições preliminares para a
Manutenção da Qualidade.
1. Eliminação da deterioração
forçada;
2. Conhecimento do equipamento
por todos os funcionários;
3. Zero falhas no equipamento;
4. Projeto de Manutenção de
novos produtos e equipamentos.
Dez etapas para a Manutenção da
Qualidade:
1. Confirmação do estado atual;
2. Pesquisa dos processos que
geram defeitos e obstruem a qualidade;
3. Pesquisa e análise das
condições da fábrica;
4. Estudar medidas de combate
de “Fuguais” (pequenas perdas);
5. Analisar as condições para
produtos não defeituosos que não estão confirmadas;
6. Melhorar Kaizen de defeitos;
7. Definir as condições da
fábrica;
8. Aprimorar método de
verificação;
9. Decidir o valor do padrão de
verificação;
10. Revisar o padrão.
7º pilar: TPM OFFICE (ADMINISTRATIVO):
Nestes
setores pode ser otimizado todo o fluxo de informações, de modo que exista uma
eficiência em comunicação entre a parte administrativa e técnica da empresa.
As atividades TPM no
escritório:
· Atingir resultados concretos;
· Lidar com o escritório como
uma fábrica;
· Aplicar técnicas TPM para
equipamentos no escritório;
· Definir o setor e estabelecer
metas;
· Implantar com base em 3
pilares:
- Kobetsu Kaizen (Melhorias Individual) no setor e entre os
setores;
- Atividades Jishu Hozen (Manutenção Autônoma) para
escritório;
- Educação e Treinamento
Etapas da Manutenção Autônoma
no Escritório:
Etapa 1 – Limpeza inicial;
Etapa 2 – Identificação de
problemas:
a) Análise de função;
b) Análise horas-homem;
c) Análise de fluxo;
Etapa 3 – Medidas de Kaizen;
Etapa 4 – Padronização;
Etapa 5 – Atividades de
trabalho e gerenciamento autônomo.
Atividades
de melhoria individual:
São
dois métodos para aplicação do Kobetsu Kaizen. O primeiro consiste em abordar
as várias perdas através do exame do estado atual e eliminá-las. O outro método
consiste em estabelecer um esboço do escritório ideal e tentar alcançá-lo
através de um projeto.
O
pilar TPM ECO ou simplesmente Segurança, Saúde e Meio Ambiente, tem como
objetivo principal a busca de "zero acidente” através da segurança e máxima
saúde e bem estar do colaborador, além da busca de processos produtivos que não
afetam ou que minimizam o impacto ambiental.
A
observação das leis trabalhistas, bem como o respeito às normas de gestão e
legislação ambiental, são pontos relevantes e que devem ser considerados para
melhorar os índices de qualidade referentes a estes setores da empresa em fase
de implantação da política TPM.
Uma
ferramenta utilizada por este pilar e que também é associada a toda a estrutura
da TPM é o chamado “5S”, criada no Japão por Kaoru Ishikawa, esta ferramenta
recebeu este nome devido à utilização de cinco sensos básicos e fundamentais
para qualquer atividade a ser realizada dentro de uma empresa. Também conhecida
como housekeeping, esta ferramenta consiste em incorporar na empresa e em seus
colaboradores estes cinco sensos que levarão a uma otimização das tarefas
levando em conta as bases deste pilar que são a segurança, a higiene e o meio
ambiente (Cagliume, 2008).
Encerramos aqui as definições sobre TPM, na próxima postagem será mostrada uma sugestão das Etapas de Implantação do TPM. Acesse, acompanhe, discuta, sua opinião é sempre bem vinda!