terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mercado de trabalho e a função Manutenção em tempos difíceis – Parte 1



Olá amigos e leitores do blog Engenharia de Manutenção no Brasil, passado o carnaval, podemos dizer que finalmente “começamos o ano”.  Não posso nem me excluir dessa, pois aproveitei este tempinho para tratar da saúde.
Antes de iniciarmos nossos artigos técnicos, me sinto na obrigação de falar um pouquinho a respeito do mercado de trabalho e do comportamento dos gestores de manutenção em tempos difíceis no país. Recebi muitos e-mails pedindo para tratar do assunto, então aproveitarei este espaço para discorrer a respeito.
Peço, antes de tudo, que não entendam este artigo como de esquerda, direita ou centro político, qualquer que seja o lado haverá problemas, tentarei apenas focar no “nosso problema”, Como defender a manutenção!

Gostaria de começar citando um caso ocorrido a alguns anos e que tive a oportunidade de acompanhar, a visão da empresa de ônibus “X”.
Trata-se de uma empresa de médio porte que em determinado momento de aperto financeiro decidiu contratar um novo “Administrador Geral”, ou simplesmente “AdG”, para seu pátio de veículos, a fim de solucionar todos os entraves que a impediam de aumentar seus lucros, em um momento de economia fraca.
Este “AdG” contratou uma consultoria contábil para fazer uma verdadeira devassa nos contratos e contas da empresa, buscando maneiras de suavizar os problemas fiscais. Em paralelo, resolveu conhecer as áreas e seu efetivo para identificar oportunidades de redução de quadro.
Ao chegar à Manutenção, observou uma equipe descontraída, que naquele exato momento, se dividia em jogar ping-pong ou navegar na internet.
Descontente com a cena esbravejou:
 - Quem é o Gerente aqui?
Rapidamente duas pessoas indicaram o Gerente, que sentado em seu computador estava dentro de uma sala montada na área de trabalho.
Então o “AdG” chegou ao seu lado e disse:
- Este é um dos motivos pelo qual a empresa perde dinheiro. Chego na área e observo uma equipe inteira “brincando” ao invés de trabalhar. Isso só quer dizer que a equipe está superdimensionada e que poderei cortar parte do efetivo daqui.
Ao ouvir tal argumento, prontamente o Gerente da Manutenção se levanta e questiona:
- Por acaso o senhor já olhou ao seu redor em todo o pátio? Percebeu que não há nenhum carro na garagem em manutenção? Notou a limpeza do ambiente e a organização das ferramentas? Já visitou nosso estoque e conferiu se nossas peças críticas estão em falta?
Ao virar-se, o AdG não viu um ônibus sequer estacionado, nenhuma poça de óleo ou graxa, as ferramentas nas maletas e em prateleiras identificadas. Então o Gerente da Manutenção completou:
- Esta equipe se esforçou muito para que tudo isso estivesse em ordem e que todos os ônibus estivessem na rua, pois compreendem que “ônibus parado é caixa arruinado!”, então antes de questionar o quantitativo do meu efetivo, observe o diferencial que ele representa nas contas da empresa, a economia que ele proporciona e o lucro que ele permite a empresa obter com a sua frota 100% ativa, e somente após esta avaliação, se você não identificar nada que o justifique, conversamos sobre efetivo.
O tal AdG entendeu a mensagem e foi tratar de outros problemas.

Paro por aqui esta história pois chegamos ao ponto de interesse, a postura do Gestor de Manutenção! Maiores detalhes não vêm ao caso neste momento.
Em tempos difíceis da economia nacional, para as empresas, uma das maneiras mais simples de se “reduzir custos” é cortar postos de trabalho. Isso acontece muito devido à necessidade de mostrar resultado rápido, à cobrança da diretoria e/ou acionistas, se for o caso.
Particularmente, esta é a pior maneira de se reduzir custos. Acredito que a pergunta não deva ser “Quantos há no seu setor?”, mas sim “Qual o impacto destas atividades no balanço da empresa?”, e sejamos sinceros, nós colaboradores de manutenção, poucas vezes ouvimos a segunda pergunta.
Este é um paradigma daqueles que tomam as decisões nas empresas. Nossa atividade só é percebida quando há o caos, se tudo corre bem ninguém se lembra da manutenção. Infelizmente a visão destes Diretores, Presidentes, Acionistas, enfim, de uma maioria considerável, ainda é que Manutenção gera somente gastos, custos. E isto, é MUITO errado!!!
O que observamos na história que citei é exatamente a defesa do patrimônio “Manutenção” pelo seu Gestor.
Imagine se aquele Gerente não estivesse com sua mesa na área, observando os problemas de perto, ou ainda, que houvesse ônibus no pátio ou que a área estivesse suja, desorganizada, e seus comandados, em pleno horário de atividade, se divertindo. Certamente não haveria defesa! O mais importante é que o Gestor compreende a importância que sua equipe tem para o resultado da empresa, deixando isso claro na explanação realizada ao AdG, cobrando inclusive uma avaliação comprobatória mostrando o impacto da perda que um posto de trabalho da manutenção traria a empresa, e ainda que ele demonstra uma postura de reconhecimento e valorização ao esforço da sua equipe.

Muito desta responsabilidade e culpa da visão deturpada dos Administradores é NOSSA, pois não sabemos fazer o “marketing” das oportunidades de ganho de nossa atividade.

Não realizamos, por exemplo, um evento, uma palestra ou uma simples apresentação de rotina, mostrando que “O controle efetivo das nossas manutenções preventivas evitou um percentual X de paradas, proporcionando a empresa uma aumento da capacidade produtiva em N%”, ou ainda, “a implantação da metodologia de RCM, nos permitiu o controle de sobressalentes, reduzindo nossos estoques e focando no que realmente é crítico”, como estas, pequenas ações que, para os quem decidem, faz toda a diferença.
Nos falta compreender que as Cifras determinam o que é interessante ou não dentro da empresa. Isso porque somos formados com uma cultura da simples solução de problemas e que o quanto menos aparecer melhor.

Convoco você a pensar diferente! Fazer com que sejamos notados pelos resultados positivos que proporcionamos à empresa. Precisamos mudar a cabeça doa nossos Administradores, mas para isso, precisamos mudar a NOSSA primeiro.

Na próxima publicação procuraremos falar um pouco mais especificamente sobre o mercado de trabalho da manutenção e Engenharia de Manutenção.
Continue nos acompanhando. Compartilhe, Curta, até a próxima.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Inscrições EngeMan 2015 !!!

Olá amigos e leitores do blog Engenharia de Manutenção no Brasil!!!
É com enorme alegria e satisfação que, em nossa primeira publicação do ano, venho comunicar que já estão abertas as inscrições para o renomado ENGEMAN - MBA em Engenharia de Manutenção (Pós-Graduação Lato Sensu), realizado há 20 anos em parceria pela Escola Politécnica da UFRJ e o COPIMAN, com apoio institucional da ABRAMAN.

Já em sua 29ª Turma, com início marcado para 07 de março de 2015.

O MBA-ENGEMAN tem duração de 400 horas e as aulas são ministradas aos sábados, no Centro de Tecnologia da UFRJ, Ilha do Fundão, RJ, com estacionamento assegurado.

Para garantir matrícula na 29ª Turma (as vagas são limitadas), será necessário preencher a Ficha de Inscrição (Clicando na figura ACIMA) e enviá-la conforme as instruções nela incluídas. Vale ressaltar que, em 2015, será mantido o programa que vem sendo empregado com grande sucesso, visando adequar os conteúdos do Curso à aplicação direta e imediata nas respectivas organizações participantes.

Além disso, será também mantido o desconto de 10% para sócios individuais da ABRAMAN com as anuidades de 2014 e 2015 quitadas.

Além do Folder disponível clicando na figura ABAIXO, mais informações poderão ser obtidas pelos telefones (21) 3938-7280/7288/7290 e (21) 99641-2107 / 99967-7116, e-mails mba_engeman@poli.ufrj.br / alicesimas@poli.ufrj.br / jhbenzecry@gmail.com ou ainda nos sites da POLI/UFRJ (www.poli.ufrj.br) e da ABRAMAN (www.abraman.org.br).

Não percam esta oportunidade!! Garanta Já a sua vaga!!!
 
Na próxima semana iniciaremos nossas postagens técnicas falando sobre o primeiro assunto do ano, Manutenção Preventiva. Acompanhe, Compartilhe com os colegas e amigos. Espero por vocês!!!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz 2015!!!



Olá amigos e Leitores do blog Engenharia de Manutenção no Brasil, venho através desta postagem agradecer imensamente a todos vocês pelo apoio e acompanhamento das atividades realizadas neste ano de 2014.

Que em 2015 possamos ter muito trabalho e que muito material de qualidade possa ser publicado e apreciado por vocês!

Espero sinceramente que o ano de 2015 seja de muito Sucesso e com muito trabalho a Todos, após um ano tão conturbado e turbulento quanto este de 2014, tenho a plena convicção de que teremos Grandes Conquistas.

Fiquem com Deus, fico na torcida para que possam continuar acompanhando nosso Blog em 2015.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Download de Artigo AS 7 FERRAMENTAS DA QUALIDADE

Após mais um tema apresentado, segue o arquivo único compilado para download, neste caso As 7 Ferramentas da Qualidade, com a devida bibliografia. É só clicar na imagem abaixo.
Espero que apreciem o material!
 
Na próxima semana iniciaremos o segundo tema que foi escolhido por você, Manutenção Preventiva. Aguarde, acompanhe e participe com a sua opinião.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

As 7 Ferramentas da Qualidade – Mais 1 de 7 ferramentas - 7/7 (Final)



Olá amigos e leitores do Blog Engenharia de Manutenção no Brasil! Hoje concluiremos o tema “As 7 Ferramentas da Qualidade” com o detalhamento da última ferramenta, o Gráfico de Controle. Peço desculpas pela demora na publicação, mas alguns probleminhas de saúde têm atrapalhado bastante esta atividade. Espero que gostem da conclusão. Boa Leitura!


07 – Gráfico de Controle:

O Gráfico de Controle é normalmente utilizado para acompanhamento de uma variável de processo ao longo de um determinado tempo e de seus limites estatísticos de variação, tendo como principal objetivo, a identificação da chamada “normalidade de processo”, ou seja, variações dentro dos limites esperados de produtividade ou rendimento.

Muito utilizado no controle de qualidade de uma cadeia produtiva em série, onde são produzidos itens com mesmas características, pesos, medidas, etc., por exemplo, nas indústrias alimentícia e farmacêutica. Também é utilizado na área de serviços para medição de atividades ou serviços padronizados, por exemplo, substituição de ferramenta em linha produtiva (“SETUP”) ou coleta de dados preditivos em um oscilador de lingotamento.

O estabelecimento dos Limites Superior e Inferior de Controle (LSC e LIC) permite ao gestor uma identificação ágil e objetiva para o auxílio em decisões que possam impactar o processo, evidenciando e possibilitando o controle da variabilidade e do grau de não conformidade do mesmo.

Para um melhor entendimento e detalhamento desta ferramenta vamos trabalhar no exemplo a seguir.

Uma determinada empresa de precisa identificar se o processo de atendimento da equipe de manutenção às ordens abertas pela produção tem ocorrido dentro dos parâmetros especificados pelos gestores. Para isso, realiza um estudo utilizando o Gráfico de Controle para identificar os possíveis desvios em cada uma das quatro equipes de atendimento.
Deseja-se conhecer o tempo que as equipes levam para atender às solicitações de manutenção, desde a abertura da nota até a liberação para execução da manutenção.

Passo 1 – Retirar amostra n de atendimentos;
Passo 2 – Calcule a média Ẋ do tempo de atendimento da primeira amostra por meio da fórmula:
Ẋ = X1 + X2 + X3 + ... Xn / n
Passo 3 – Calcule a Amplitude R, que seria o maior tempo menos o menor tempo observado da primeira amostra;
Passo 4 – Retire outras amostras até completar k amostras (valor normalmente entre 20 a 25 amostras com 4 a 6 observações)

No exemplo:
Seriam 4 Amostras com 6 observações de tempo:

Os valores de Média e Amplitude de cada uma das amostras, em valores aproximados:

 Passo 5 – Traçar o gráfico. No eixo das abscissas coloque o número das amostras e no eixo das ordenadas, faça a escala para as médias Ẋ;



Passo 6 – Calcule a Média das Médias Ẍ (Ẍ = Ẋ 1 + Ẋ 2 + Ẋ 3 + ... Ẋ n / k), no exemplo:
Ẍ = (21+26+22+24+22) / 5 = 23




Passo7 – Calcule os Limites de Controle Superior e Inferior:

Limite de Controle Superior – LCS = Ẍ + A2Ṙ
Limite de Controle Inferior – LCI = Ẍ - A2Ṙ

Onde Ṙ é a média das Amplitudes (Ṙ = R 1 + R 2 + R 3 + ... R n / k), logo Ṙ = (7+8+12+11+13) / 5 = 10, e o valor de A2 é tabelado:
 No exemplo, como foram 6 observações por amostra, então n=6:
Limite Superior de Controle – LSC = 23 + (0,483)(10) = 27,8
Limite Inferior de Controle – LIC = 23 - (0,483)(10) = 18,2


Nota-se então que o Processo analisado está SOB CONTROLE, por estar dentro dos Limites Superior e Inferior de Controle.

Para traçar o gráfico Ẋ - Ṙ, siga o mesmo procedimento, mas agora a escala será para as Amplitudes R, a linha central será a média das Amplitudes (Ṙ) e os limites serão os seguintes:
 Limite de Controle Superior – LCS = D4Ṙ
Limite de Controle Inferior – LCI = D3Ṙ

O resultado no exemplo será:


 Uma importante utilização do Gráfico de Controle é o chamado Gráfico de Controle np, para análise do número de peças com defeito.
O procedimento é exatamente o mesmo que os anteriores, mas alguns detalhes fazem toda a diferença.
Agora será analisada a Proporção Média de peças com defeito, e não simplesmente a média. Para isso, ao invés de Ẋ, é preciso calcular o Ṗ:
Ṗ = d1 + d2 + d3 + ... dn / nr, onde d=número de peças defeituosas, n=tamanho da amostra e r=número de amostras
Os limites também serão alterados para:
 Limite de Controle Superior – LCS = nṖ + 3 √[nṖ(1- Ṗ)]
Limite de Controle Inferior – LCI = nṖ - 3 √[nṖ(1- Ṗ)]

Outra importante utilização é o chamado Gráfico de Controle C, para análise do número de defeitos em peças.
Neste gráfico tome n peças, calcule o Número Médio de defeito por peça, com a seguinte fórmula: Ċ = Total de defeitos nas n peças / n.
Em seguida calcule os limites superior e inferior:
Limite de Controle Superior – LCS = Ċ + 3 √Ċ
Limite de Controle Inferior – LCI = Ċ - 3 √Ċ

Obs.: Para o caso em que LIC for negativo, utilize LIC=0.

Existe uma diferença importante entre os dados obtidos e calculados para obtenção dos diferentes Gráficos de Controle e as Especificações determinadas para qualquer processo que se deseja controlar. A princípio, as especificações são obtidas antes da análise, por isso, é importante acrescentar também no gráfico desenvolvido as retas de especificação com os respectivos limites inferior e superior, para saber se apesar de SOB CONTROLE, o processo está dentro das especificações.

Concluímos assim o tema As 7 Ferramentas da Qualidade, espero que tenham gostado do material. Na próxima semana publicaremos o link com o arquivo único compilado com todas as publicações e a respectiva bibliografia.
Divulgue entre seus amigos, colegas e companheiros de trabalho.
Acesse, Curta, Acompanhe e Compartilhe as informações de nosso Blog. Até a próxima postagem!
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